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sábado, 31 de março de 2012

Você foi convidado a um evento
e não perderá nada por não comparecer!


Na noite de quinta-feira, 5 de Abril, neste ano de 2012, milhões de seguidores da religião Testemunhas de Jeová vão se reunir para o seu mais importante evento do ano. Em geral, toda a comunidade vizinha de cada templo desta Organização é convidada para comparecer a esta reunião. Os seguidores da seita testemunha-de-jeová entendem que se você comparecer, você é um seguidor em potencial, ou seja; em breve você também se tornará membro da igreja deles. [1] Portanto aceitar o convite e ir a esta reunião, que eles chamam de “Comemoração da morte de Cristo” não é simplesmente uma visita, você estará sendo computado nos mais de 10.000.000 que vão ser interpretados como testemunha-de-jeová em potencial. Isso em si já passa a ser sério, mas nem tudo neste tal evento pode ser levado a sério, por quê?
Curiosamente as “testemunhas de Jeová” continuam praticando esse Memorial, de uma forma muito contraditória. Por que dizemos isso? Dizemos isso por que o apóstolo Paulo disse em 1 Coríntios 11.23-26 que esta “Ceia do Senhor” deveria ser celebrada “até que Ele (Jesus) viesse”. Visto que as “testemunhas de Jeová” ensinam que Jesus Cristo voltou de forma invisível em 1914 [2], por que motivo continuariam celebrando a Ceia, visto que só deveria ser celebrada até que Cristo voltasse? – Antes de mais nada, a volta invisível de Cristo é uma heresia! Jesus disse que “assim como o relâmpago que sai do oriente e se mostra até o ocidente assim seria também a vinda do Filho do Homem”, e disse mais “se disserem eis o Cristo aqui, ou ei-lo ali, não acreditem!”. (Mateus 24.26,27)
Parece contraditório isso não é? Sim! Mas amigo (a), para complicar um pouco mais, a pessoa que vai a este evento não vai comer do pão e nem beber do vinho que estará lá no evento, e nem mesmo as próprias “testemunhas” participam destes “emblemas”; o que elas fazem é circular as taças de vinho e o prato de pão, de mão-em-mão, sem comer ou beber. Totalmente estranho esse procedimento se levarmos em conta o que disse o próprio homenageado, que supostamente seria Jesus Cristo, pois ele disse: “Tomai (o pão) e comei dele todos vós!” da mesma forma o vinho deveria ser tomado por todos – e não apenas uns poucos de uma classe privilegiada (Mateus 26.26,27). As Testemunhas são ensinadas pela sua liderança mundial de que só os que são membros da classe de 144000 podem comer do pão e beber do vinho. [3] Ordenanças de Cristo, tais como o batismo em água até os anos 1930, também só era permitido a professos membros deste grupo de 144000. [4] Portanto se você tivesse vivido naqueles anos 30, e aceitasse ser testemunha de Jeová, por conta deste entendimento da liderança TJ, você teria talvez morrido sem obedecer à ordenança de Jesus de não somente crer, mas também de ser batizado! (Marcos 16.16)
Sim, esta organização tem muitos ensinos particulares, que não são comuns na vasta maioria das igrejas cristãs – são ensinos esquisitos, e que por não terem fundamento na Bíblia, precisam ser constantemente mudados, alterados, ou simplesmente abandonados. Seriam essas mudanças inofensivas? De forma nenhuma!, veja por exemplo, até a alguns anos as testemunhas-de-jeová eram proibidas pela sua Liderança de tomar vacinas [5], ou de aceitar transplante de órgãos [6]. Sua doutrina mais conhecida que é a proibição da transfusão de sangue, recentemente foi mudada mais uma vez, sendo permitido às “Testemunhas” aceitarem “frações de componentes primários do sangue” – mais uma contradição, pois apesar desta “concessão” elas continuam proibidas de fazerem doação de sangue! [7] E se, para elas, aceitar o sangue total é pecado, então as TJs agora podem cometer “frações de pecado”? – que contradição!
Sim amigo(a), as “testemunhas de Jeová” é uma religião com sérios erros de interpretação bíblica, que chegam a ser irresponsáveis colocando em risco a vida de seus seguidores. Eu mesmo fui “testemunha-de-jeová” por 18 anos, e neste tempo vi mudanças significativas nos ensinamentos promovidos pela Torre de Vigia, como se chama a sede das testemunhas-de-jeová.
Por muitos anos antes de 1995, foi pregado e enfatizado pela Organização Testemunhas de Jeová que a Geração dos nascidos em 1914 não passaria. O fim aconteceria ainda no Século 20, conforme disse “A Sentinela” em 1989. Tudo se revelou com o tempo “falsas profecias”.
Por exemplo, na época em que me batizei como testemunha, era ensinado pela religião TJ de que o “fim do mundo” que eles chamam de “armagedom” viria ainda no Século 20. [8] Era ensinado também pela liderança das Testemunhas de que “a geração de 1914 não passaria antes de vir o Fim” (a capa de uma “A Sentinela”, revista das TJs, em 1984, ensinando essa heresia pode ser vista na figura, no quadro a seguir [9]. Eu entrei nesta Organização após os membros e ex-membros mais antigos já terem passado por mais outras decepções, como por exemplo a liderança da igreja Testemunha de Jeová pregou que o Armagedom viria no ano de 1975! [10] No passado “distante” outras datas “furadas” foram falsamente profetizadas tais como 1874, 1914, 1918 e 1925 . – Por conta deste alarmismo, as jovens testemunhas são desincentivadas ao ensino acadêmico na Universidade [11] e à investir na sua carreira profissional. (é lógico que parte considerável do rebanho não obedece a esta ênfase, sabendo de suas necessidades de sobreviver num mercado de trabalho cada vez mais competitivo). Líderes da religião TJ desincentivaram no passado até mesmo o casamento; não é de admirar que é comum ter grande maioria dos jovens TJs que não namoram, assim como é normal na adolescência e juventude de qualquer pessoa normal. (boa parte dos jovens, apesar disto, assim como também é comum a muitos jovens, independente da religião,  namoram escondidos dos pais e líderes).

Por muitos anos antes de 1995, foi pregado e enfatizado pela Organização Testemunhas de Jeová que a Geração dos nascidos em 1914 não passaria. O fim aconteceria ainda no Século 20, conforme disse “A Sentinela” em 1989. Tudo se revelou com o tempo “falsas profecias”.
Muito mais eu poderia falar, mas o objetivo aqui não é esgotar todas as contradições; seriam necessários muitos livros para comentar as 316 mudanças doutrinárias que já aconteceram até o momento nesta “seita”. Um de seus líderes foi afastado do Corpo central de líderes, por questionar alguns ensinamentos sem fundamento tais como a cronologia sobre 1914. Seu nome é Raymond V. Franz, sobrinho do Presidente mundial das testemunhas de Jeová nos anos 1977 a 1992, Frederick W. Franz [12]. Ray Franz escreveu depois disso um livro intitulado “Crise deConsciência” que no Brasil é distribuído pela Editora Hagnos (hagnos@hagnos.com.br; Tel.: 11 5666-1969). Vale a pena conhecer o conteúdo deste livro. Saiba mais sobre este livro, seu escritor, e demais incoerências da seita, acessando na internet o site: http://indicetj.info fórum http://extestemunhasdejeova.net/
Amigo(a) não importa o que dizem as Testemunhas de Jeová, que se consideram a única religião verdadeira, que dizem que todas as demais igrejas cristãs fazem parte da religião falsa [13], e que “só elas (as TJs) é que serão salvas”. Não importa o que nenhuma outra seita exclusivista diga. O que importa é o que a Bíblia diz de forma muito clara:
“Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o seu filho unigênito, para que todo aquele que nele crer, não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16) e também diz: “Nenhum outro nome foi dado abaixo do céu, pelo qual tenhamos de ser salvos, a não ser o nome de Jesus Cristo” (Atos 4:12). Portanto só Jesus Cristo salva, e não uma Organização religiosa falha, irresponsável e contraditória, e salva a todos os que nele crêem, e não apenas um suposto grupo privilegiado de parte dos 144000.
Convido a você a conhecer a este Salvador, Jesus Cristo, pela sua Bíblia, e podemos ajudá-lo. Visite uma igreja evangélica próxima de você. É verdade que existem muitas igrejas hoje que estão longe do padrão das Escrituras, mas ore a Deus na escolha da Comunidade a qual você gostaria de se engajar; Igreja não salva, quem salva é Cristo. Sou da Igreja Batista, e convido a você para nos visitar na igreja mais próxima de você, no domingo às 19h, ou na quarta-feira às 19:30.

Que Deus abençoe tua vida!

AS INFORMAÇÕES SOBRE AS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ NESTE FOLHETO PODEM SER CONFIRMADAS EXAMINANDO AS PUBLICAÇÕES DAS PRÓPRIAS TJs CONFORME SEGUEM:
[1] A Sentinela, 1/5/98 p.16 par.12 – quem vai a este evento é computado como potencial TJ
[2] Aproximou-se o Reino de Deus de Mil Anos, pg. 209 par.55 – “Jesus voltou em 1914”
[3] A Sentinela, 1/4/96 pg. 7 – Só os dos 144000 podem tomar dos emblemas da Ceia
[4] A Sentinela, 15/04/73 pg. 3 – Até 1935 só os dos 144000 podiam se batizar em água
[5] A Sentinela, 15/10/74 pg. 639,640, The Golden Age, 04/02/1931, p.293 – proibida a vacina
[6] A Sentinela, 01/09/81 pg.31 – proibido o transplante de órgãos
[7] Nosso Ministério do Reino, março/2007 pg.3-6 – permitido frações do sangue, doar não
[8] A Sentinela, 01/01/89 pg.11 par.8 – A liderança TJ pregou que o fim viria no séc. 20
[9] A Sentinela, 15/11/84, pg.6 – A liderança TJ pregou que a Geração de 1914 não passaria
[10] A Sentinela, 15/02/69 pg.110-117 – A liderança TJ marcou o Armagedom para 1975
[11] Despertai, julho de 2006, 23-25 – Desincentivado o ensino universitário
[12] TJ Unidas em Fazer Mundialmente a Vontade de Deus, pg. 27 – FWFraz presidente
[13] Poderá Viver Para Sempre No Paraíso Na Terra, pg. 190, par.20 – as Testemunhas pregam que sua religião é “a Única Religião Verdadeira”, “as demais igrejas cristãs são organizações do Diabo”.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Carta ao Apóstolo Juvenal
Augustus Nicodemus

(Não se preocupem, o apóstolo Juvenal não existe. Também nunca tive amigo que virou apóstolo. O apóstolo Juvenal é um personagem fictício, embora baseada em personagens da vida real.)

Meu caro Juvenal,

espero que você se lembre de mim, o Augustus Nicodemus, seu colega de turma do seminário presbiteriano (talvez você se lembre pelo apelido "Brutus" que eu odiava...!). Faz uns 20 anos que não temos contato. Só recentemente consegui seu e-mail, com o Mário, nosso amigo comum.

Desculpe não lhe tratar como "apóstolo". Você sabe, desde os tempos do seminário, que minha opinião é que os apóstolos constituíram um grupo único e exclusivo na história da Igreja e que hoje não existem mais.

Qual não foi a minha surpresa quando me deparei com seu programa de televisão e com você se apresentando como "apóstolo" Juvenal! Eu não sabia que você tinha deixado o pastorado em nossa denominação, montado uma comunidade e adquirido esse título de "apóstolo", o qual, como já disse, não consigo reconhecer como legítimo.

Você sabe que para nós, cristãos históricos reformados, os apóstolos de Jesus Cristo tiveram um papel crucial e extremamente relevante na fundação da Igreja cristã. É um cargo, um ofício, tão sério e fundamental, que ver pessoas usando esse título nos dias de hoje causa um grande desconforto, uma profunda perplexidade e tristeza inominável.

Não consigo imaginar uma banalização maior do que essa. Não que você seja uma pessoa indigna, pífia, pérfida ou mesquinha -- não se trata disso. Eu sentiria a mesma coisa se o próprio Calvino resolvesse usar esse título para si.
Não sei o que se passou por sua cabeça para que você, que “conhece” a Bíblia e a história da Igreja, resolvesse virar um "apóstolo" e montar sua própria comunidade.

Pelo seu programa de televisão, ficou patente para mim que você adotou os cacoetes, o linguajar e as ideias que são próprias dos outros "apóstolos" que já estão por ai há mais tempo que você.

Valendo-me da nossa amizade dos tempos de seminário, resolvi escrever-lhe e tirar as dúvidas, perguntar diretamente a você, para não ficar imaginando coisas.

1) Quem foi que lhe conferiu esse status, Juvenal? Refiro-me ao título de "apóstolo". Nas igrejas históricas ninguém toma para si o cargo, a função e o título de diácono, presbítero, pastor.

São títulos concedidos por essas igrejas a pessoas que elas reconhecem como vocacionadas e aptas para a função. Não sei quem lhe conferiu esse título de "apóstolo".

Ouvi falar que existe um conselho de apóstolos no Brasil, ligado a outros conselhos similares no exterior, que é quem ordena e investe os apóstolos no Brasil. Mas, pergunto, quem ordenou, investiu e autorizou os membros desse conselho de apóstolos?

Em algum momento, chegaremos ao ponto em que alguém se autonomeou apóstolo, já que esse título e ofício deixaram de existir na Igreja Cristã desde o século I. Os apóstolos de Cristo não deixaram sucessores que por sua vez fizessem outros sucessores, numa corrente ininterrupta até os dias de hoje.

Só quem reivindica isso é o Papa e nós não aceitamos essa reivindicação -- aliás, esse foi um dos motivos da Reforma protestante ter acontecido. Por isso, considero a utilização do título "apóstolo" hoje como uma usurpação, uma apropriação indevida dentro da Igreja de uma função histórica que não mais existe.

2) Fala sério, Juvenal, você acha mesmo que é um apóstolo? Quando você usa esse título para si, você está se igualando aos Doze Apóstolos e a Paulo, ou simplesmente usa o termo no sentido de "enviado, missionário", que é o sentido básico da palavra no grego?

Se for nesse último sentido, fico menos consternado. Há outras pessoas na Bíblia que são referidas como apóstolos, além dos Doze e Paulo, como Tiago, irmão do Senhor (Gálatas 1:19; mas veja 1Coríntios 9:5 onde Paulo distingue entre apóstolos e os irmãos do Senhor) e Barnabé (Atos 14.14).

O sentido aqui é quase sempre de enviado de igrejas locais, missionário, para usar o termo mais popular. Todavia, esse uso é secundário e desconhecido pelas igrejas modernas. Quando se fala em "apóstolo", as pessoas imediatamente associam o termo a Pedro, Tiago, João, Paulo, etc.

Usar o título "apóstolo" hoje é igualar-se a eles ou, no mínimo, causar confusão na mente das pessoas. Você acredita mesmo que é um apóstolo como Paulo, Pedro, João, Mateus, André, Felipe, etc.?

3) Se você acredita, então minha próxima pergunta é essa: você viu Jesus ressurreto? Ele lhe apareceu e lhe comissionou como apóstolo? Pois foi assim que ele fez com os Doze e com Paulo.

Todos eles foram chamados diretamente por Jesus e o viram depois da ressurreição. Se você disser que Jesus lhe apareceu e lhe comissionou, pergunto ainda como fica a declaração de Paulo em 1Coríntios 15:8, "e, afinal, depois de todos, [Cristo] foi visto também por mim, como por um nascido fora de tempo"?

Ele está defendendo que Jesus apareceu a várias pessoas, depois da ressurreição, e "afinal, depois de todos" apareceu a ele. Literalmente, no grego, Paulo está dizendo que "por último de todos" (eschaton de pantwn) Cristo apareceu a ele. Ou seja, Paulo entendia que a aparição do Cristo ressurreto a ele era a última de uma sequência.

É assim que os cristãos históricos sempre entenderam. Se a condição para ser apóstolo era ter visto Jesus ressurreto, conforme Pedro declarou (Atos 1:22; veja também 1Coríntios 9:1), então Paulo foi o último apóstolo. Desculpe, não creio que Cristo lhe apareceu no corpo da ressurreição. Se você disser que sim, prefiro acreditar em Paulo, de que ele foi o último.

4) Você acha, sinceramente, que usar esse título de alguma forma vai ajudar a Igreja? Em que sentido? Veja só, grandes líderes da Igreja, através de sua história, pessoas que deram contribuições duradouras na área de teologia, missões, social, nunca buscaram esse título.

Nem mesmo aqueles grandes homens de Deus que viveram na época imediatamente após os apóstolos e que foram discípulos deles, como Papias e Policarpo. Outros, como Agostinho, Calvino, Lutero, Wesley, Spurgeon, e os grandes missionários como Carey, jamais arrogaram para si essa designação.

Se alguém teria esse direito, depois dos apóstolos, seriam eles, e não pessoas como você e outros que se apropriaram desse título, e cuja contribuição para a Igreja cristã é mínima comparada com a contribuição deles.

5) Outra pergunta. Pelo que entendi, você é o fundador e presidente dessa igreja "Igreja Apostólica Global da Misericórdia de Deus". Como você concilia isso com o fato de que os apóstolos de Cristo não se tornaram donos, presidentes, chefes e proprietários das igrejas locais que eles fundaram?

Eles eram apóstolos da Igreja de Cristo, da igreja universal, e não de igrejas locais. A autoridade deles era reconhecida por todos os cristãos de todos os lugares. Aonde eles chegavam eram recebidos como emissários de Cristo, com autoridade designada por ele.

A prova disso é que os escritos deles, como os Evangelhos e as cartas, foram recebidos por todas as igrejas como Palavra de Deus e autoritativas em matéria de fé e prática, foram organizadas e colecionadas naquilo que hoje conhecemos como o cânon do Novo Testamento.

Pergunto, então: quem reconhece sua autoridade como apóstolo? As igrejas cristãs do Brasil ou somente sua igreja local? Seus escritos, seus sermões -- eles são recebidos como Palavra infalível e autoritativa da parte de Deus em todas as igrejas cristãs ou somente na sua igreja local?

6) Juvenal, pelo que me recordo de você, você sempre foi uma pessoa com dificuldades de relacionamento com as autoridades. Lembra daquela suspensão que você pegou no seminário por desacato ao diretor e ao capelão?

Para não mencionar as brigas constantes que você tinha em sala de aula com os professores, não por causa dos conteúdos, mas porque você insistia em questionar, às vezes até zombeteiramente, a autoridade deles em sala de aula.

Lembrando-me desse traço da sua personalidade e do seu caráter, até que posso entender o motivo pelo qual você resolveu abandonar o sistema conciliar da nossa denominação e fundar uma outra, onde você é o chefe supremo.

Imagino que você não presta contas a ninguém da sua conduta, do que ensina e de como usa os recursos financeiros que arrecada. Afinal de contas, acima dos apóstolos só Jesus Cristo, e pelo que sei, ele não emite nada-consta nessas áreas...

7) Uma última pergunta e depois vou lhe deixar em paz. Você faz os mesmos milagres que os apóstolos fizeram? Não me refiro a curas em massa de pessoas que não têm CPF nem endereço e que foram curadas de males internos como enxaqueca, espinhela caída, pressão alta, etc.

Refiro-me à curas daquele tipo efetuadas pelos apóstolos de Cristo, de aleijados, surdos, cegos, paralíticos, cujas deformidades, endereço e identidade eram conhecidos das comunidades.

Refiro-me às ressurreições de mortos, como a ressurreição de Dorcas feita por Pedro. Você faz esse tipo de sinais? Os apóstolos não fracassaram nunca quando diziam "em nome de Jesus, levanta-te e anda".

O índice de sucesso deles era de 100%. E as curas eram instantâneas e completas. Quem era cego voltava a ver completamente, e não em parte. Aleijados voltavam a andar e a pular. Você faz isso, Juvenal?

Você se incomodaria em me deixar participar de uma daquelas reuniões de cura que você anuncia em seu programa, para que eu entrevistasse as pessoas que dizem ter sido curadas?

Não me leve a mal, mas é que tem muita charlatanice nesse meio, muita gente que é paga para dar testemunho falso de cura, muitos que pensam que foram curados quando no máximo foram sugestionados nesse sentido.

Curas reais e autênticas serão assim comprovadas por laudo médico, exames, etc. Não é que eu não creia em milagres hoje. Eu creio, sim, que Deus cura hoje em resposta às orações. Inclusive, eu mesmo já fui curado em resposta às orações.

O que eu não creio é que existam hoje pessoas com o dom apostólico de curar simplesmente pelo comando verbal, e de realizar curas imediatas e completas de aleijados, cegos, surdos, paralíticos, doentes mentais, cancerosos, aidéticos, etc.

Esse dom fazia parte do equipamento apostólico e servia como "credenciais do apostolado", conforme Paulo declarou aos coríntios (2Coríntios 12:12). Se você não é capaz de fazer os sinais que os apóstolos faziam, não creio que tenha o direito de se chamar de apóstolo.

Bom, não sei se você vai me responder. Fique à vontade. Eu precisava lhe perguntar essas coisas, para não ficar imaginando no coração que você é um mercenário, uma daquelas pessoas que está disposta a tudo para ganhar poder, espaço e dinheiro, mesmo que seja às custas da credulidade do povo brasileiro e em nome de Deus.

Um abraço,

Augustus


Augustus Nicodemus Lopes é chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie e pastor auxiliar da Igreja Presbiteriana de Santo Amaro, em São Paulo.

sábado, 24 de março de 2012

OS FALSOS “APÓSTOLOS”
(Pr. Paulo Júnior)
"Isso inclui o fazendeiro" 

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segunda-feira, 19 de março de 2012

Exclusivo: O "apóstolo" milionário

Líder da Igreja Mundial do Poder de Deus usa dinheiro dos fiéis para enriquecimento próprio.

Saiba com exclusividade como o dirigente evangélico Valdemiro Santiago desvia dinheiro doado pelos fiéis para enriquecimento pessoal. Documentos obtidos pelo Domingo Espetacular comprovam que o “apóstolo” comprou várias fazendas no Pantanal (MT) com dinheiro da igreja. São terras de perder de vista e milhares de cabeças de gado, pista de pouso e mansão com piscina.

Leia mais notícias no R7

São fazendas riquíssimas encravadas no coração do Pantanal, que foram compradas com dinheiro dos fiéis da Igreja Mundial do Poder de Deus. O dono delas é o homem que se intitula “apóstolo” e presidente da igreja.

Segundo a Justiça, a Igreja Mundial tem dezenas de templos ameaçados de fechar por ordens de despejo. Ao mesmo tempo, o apóstolo Santiago fica cada vez mais rico.

Foi no município de Santo Antônio de Leverger, em Mato Grosso, que o “apóstolo” Valdemiro virou dono de várias fazendas, uma ao lado da outra. Juntas, as fazendas formam uma imensa propriedade, de dar inveja aos homens mais ricos do país. São mais de 26 mil hectares, aproxidamente 13,4 mil estádios do Maracanã.

Somando tudo, gado, terras e benfeitorias, o investimento total de Valdemiro chega a R$ 50 milhões em dinheiro vivo, mais do que a maioria dos prêmios da Mega-Sena acumulada. O valor é suficiente para comprar 20 Ferraris 0 km, o carro mais caro do Brasil, ou dez coberturas em Nova York (EUA), a cidade mais cara do mundo. 

Assista ao vídeo:


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Fonte: http://www.r7.com/

quinta-feira, 15 de março de 2012

Há Apóstolos Hoje?
Marcelo Parga de Souza
Jesus Cristo fundou, estabeleceu e continua a edificar sua Igreja através dos séculos. Dentre os vários dons e ofícios que ele tem distribuído ao seu povo estão aqueles que se referem aos líderes da Igreja. Esses líderes são os oficiais da igreja, capacitados e chamados por Deus, bem como reconhecidos pela congregação, para sua função.

Ofícios Eclesiásticos

Os oficiais da Igreja têm a responsabilidade de guiar o povo de Deus através da liderança pelo exemplo, bem como através do ensinamento da Palavra e dos preceitos de Deus, que alimentam os cristãos espiritualmente. A eles também é conferida a responsabilidade de supervisionar a administração da Igreja. Sua obra é para a edificação da Igreja.

As qualificações requeridas daqueles que são chamados para os ofícios de liderança na Igreja, bem como suas responsabilidades, são encontradas em diversas porções das Escrituras (1 Timóteo 3 é um dos melhores exemplos).

É importante ressaltar que aqueles apontados aos ofícios da Igreja têm dons espirituais que também se encontram, em diferentes graus, nos membros da congregação. Há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo; há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. O Espírito Santo confere seus dons e opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer (1 Co. 12:4-11). Os oficiais da Igreja, entretanto, têm de ter reconhecimento público, ou seja, do povo de Deus, com relação aos seus dons, capacidade, e chamada para as funções de liderança.

O Novo Testamento menciona três ofícios de liderança na Igreja: apóstolos, presbíteros (ou bispos, ou pastores; os três termos são usados nas Escrituras significando o mesmo oficio, cf. Tt. 1:5-7; At. 20: 17; 28) e diáconos. É evidente que as igrejas cristãs têm através dos séculos instituído padrões diferentes de governo eclesiástico, divergindo quanto ao entendimento mais apropriado do modelo bíblico. Historicamente, entretanto, houve um consenso de que o oficio apostólico não mais existe na Igreja.

Alguns cristãos na história recente da Igreja, porém, têm argumentado que não há nenhum versículo bíblico que diga explicitamente que não pode haver apóstolos nos dias de hoje. Algumas igrejas vão até ao ponto de denominar alguns de seus lideres como apóstolos. Muitos cristãos se submetem a tais apóstolos com a ideia de que estão se submetendo a autoridades no mesmo nível dos apóstolo Paulo e Pedro, por exemplo.

Isso obviamente levanta a questão: há apóstolos hoje? É bíblico que igrejas denominem seus líderes apóstolos? É verdade que se alguém negar que possa haver apóstolos hoje, essa pessoa estará negando a validade dos dons do Espírito para hoje, bem como o modelo bíblico de vida e organização eclesiástica?

O primeiro passo para que tais questões sejam respondidas é examinar o conceito bíblico da apostolado, sua função, responsabilidade, e qualificações necessárias.

O Significado da Palavra "Apóstolo".

Existem dois sentidos básicos para o termo "apóstolo". De um modo mais geral, o termo se refere a qualquer pessoa que seja um enviado ou emissário de Deus através da Igreja para uma obra especial, seja de liderança ou não (e.g., Fl. 2:25). Esse significado provém da correlação entre o substantivo "apóstolo" (πόστολος) e o verbo em grego que significa "enviar" (ποστέλλω). Nesse sentido mais geral, não há dificuldade em se aceitar que qualquer pessoa pode ser um apóstolo de Deus. Qualquer pessoa pode ser enviada, por exemplo, por uma igreja para o trabalho missionário, e, nesse sentido amplo, ela é um apóstolo de Deus.

No Novo Testamento, porém, o sentido mais comum da palavra é o sentido técnico e restrito, se referindo a um grupo seleto dos apóstolos de Cristo. A palavra traduzida "apóstolo" (e suas derivações) é encontrada 80 vezes no texto grego do Novo Testamento (Nestle-Aland 27a. Ed.). Dessas, ela tem esse sentido restrito nada menos do que 73 vezes. O sentido mais amplo de "enviado" ocorre somente 5 vezes (Jo. 13:16; 2 Co. 8:23; Fl. 2:25; At. 14:4 e 14 são duas referências ambíguas); ela se refere uma vez a Jesus Cristo (Hb. 3:1); e, finalmente, há 3 ocorrências que apresentam dificuldades exegéticas, podendo ter tanto o sentido mais amplo como o mais técnico: Rm. 16:7; At. 14:4; 14.

Sendo que não há controvérsia quanto ao sentido mais amplo da palavra (podendo em tese ser aplicada a qualquer pessoa que seja enviada para uma missão, seja um oficial da Igreja ou não), nosso foco aqui é no sentido mais técnico da palavra, ou seja, no ofício do apostolado, que alguns alegam ter nos dias de hoje.

Os Apóstolos e as Escrituras.

Essencial para o entendimento do papel dos apóstolos é o fato de que o Novo Testamento foi escrito, pela da inspiração de Deus, por eles e por seus companheiros mais próximos. A eles foi dada, pelo Espírito Santo, a habilidade de se lembrarem precisamente das palavras e ensinamentos de Jesus, para que as ensinassem de maneira verbal e escrita.

Jesus disse aos seus discípulos (mais tarde chamados apóstolos):

"Isto vos tenho dito, estando ainda convosco; mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito". (João 14:25-26)

Por causa disso, os apóstolos consideraram seus escritos explicitamente como sendo do mesmo nível de inspiração e autoridade do Antigo Testamento. Eles tinham consciência de que seus escritos também eram as Escrituras inspiradas de Deus. Eis alguns exemplos:
para que vos recordeis das palavras que, anteriormente, foram ditas pelos santos profetas, bem como do mandamento do Senhor e Salvador, ensinado pelos vossos apóstolos, (2 Pedro 3:2)

Se alguém se considera profeta ou espiritual, reconheça ser mandamento do Senhor o que vos escrevo. (1 Coríntios 14:37)

Outra razão ainda temos nós para, incessantemente, dar graças a Deus: é que, tendo vós recebido a palavra que de nós ouvistes, que é de Deus, acolhestes não como palavra de homens, e sim como, em verdade é, a palavra de Deus, a qual, com efeito, está operando eficazmente em vós, os que credes. (1 Tessalonicenses 2:13)

Ao falar acerca destes assuntos, como, de fato, costuma fazer em todas as suas epístolas, nas quais há certas coisas difíceis de entender, que os ignorantes e instáveis deturpam, como também deturpam as demais Escrituras, para a própria destruição deles. (2 Pedro 3:16)

Note que a palavra traduzida "Escrituras" em 2 Pe. 3:16 ocorre 51 vezes no texto grego do Novo Testamento, e ela se refere ao Antigo Testamento (ou seja, não a quaisquer escritos, mas à Palavra de Deus) em todas as ocorrências. Deste modo, Pedro explicitamente coloca as epístolas de Paulo no mesmo nível de autoridade e inspiração do Antigo Testamento.

Os apóstolos, em virtude de seu ofício apostólico, tinham a autoridade para receber a revelação direta das Palavra de Deus e escrevê-las para o uso da Igreja. Isso, na verdade, foi historicamente o primeiro critério para que um documento fosse considerado, na Igreja primitiva, como sendo parte do Novo Testamento.

Que dizer então dos evangelhos de Marcos e Lucas, do livro de Atos, da epístola aos Hebreus e a epístola de Judas? Marcos, Lucas, e Judas (não o Iscariotes) não eram apóstolos, e não se sabe com certeza quem foi o autor da epístola aos Hebreus. Tais livros foram aceitos pela Igreja primitiva porque, além de outros fatores, seus autores eram companheiros próximos dos apóstolos, e escreveram sob sua supervisão. A evidência bíblica e histórica é que Lucas escrevia sob a supervisão de Paulo, e Marcos sob a supervisão de Pedro. Judas era irmão de Jesus. A epístola aos Hebreus era por muitos considerada como sendo de autoria de Paulo, e outros a consideraram como autêntica por refletir claramente os ensinamentos dos apóstolos.

O fato do Novo Testamento ter sido produzido, de uma maneira ou de outra, pelos apóstolos, é de vital importância para o entendimento do apostolado. Os apóstolos foram comissionados diretamente por Jesus para trazerem suas Palavras inspiradas à Igreja. Ninguém tinha o direito de alegar ter autoridade divina para seus escritos se esta pessoa não fosse um apóstolo ou um de seus companheiros.

Ninguém, na história subsequente da Igreja, jamais teve o direito de incluir seus escritos nas Escrituras sagradas, pois o cânon da Bíblia foi completado após a morte de João, o último apóstolo. Isso por si só indica claramente que, se houvesse apóstolos em qualquer época após o período no Novo Testamento, seus escritos poderiam ser incluídos nas Escrituras, e todos os cristãos estariam obrigados a aceitá-los como sendo a Palavra de Deus. Sendo isso impossível, é impossível que haja apóstolos após o primeiro século, muito menos nos dias de hoje.

As Qualificações dos Apóstolos.

Havia duas qualificações para o apostolado:

1. O apóstolo tinha de ser testemunha ocular de Jesus ressurreto.

Até ao dia em que, depois de haver dado mandamentos por intermédio do Espírito Santo aos apóstolos que escolhera, foi elevado às alturas. A estes também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas provas incontestáveis, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas concernentes ao reino de Deus. (Atos 1:2-3)
Isso foi um dos requerimentos para que o substituto de Judas Iscariotes fosse escolhido:

É necessário, pois, que, dos homens que nos acompanharam todo o tempo que o Senhor Jesus andou entre nós, começando no batismo de João, até ao dia em que dentre nós foi levado às alturas, um destes se torne testemunha conosco da sua ressurreição. (Atos 1:21-22)

Da mesma maneira:

Com grande poder, os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça. (Atos 4:33)
Paulo, por sua vez, também foi testemunha ocular de Jesus ressurreto:

Saulo, respirando ainda ameaças e morte contra os discípulos do Senhor, dirigiu-se ao sumo sacerdote e lhe pediu cartas para as sinagogas de Damasco, a fim de que, caso achasse alguns que eram do Caminho, assim homens como mulheres, os levasse presos para Jerusalém. Seguindo ele estrada fora, ao aproximar-se de Damasco, subitamente uma luz do céu brilhou ao seu redor, e, caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? Ele perguntou: Quem és tu, Senhor? E a resposta foi: Eu sou Jesus, a quem tu persegues; mas levanta-te e entra na cidade, onde te dirão o que te convém fazer. (Atos 9:1-6)

Assim sendo, Paulo faz questão de ressaltar que sua credencial apostólica também era baseada no fato de que ele era testemunha ocular de Jesus ressurreto:
Não sou eu, porventura, livre? Não sou apóstolo? Não vi Jesus, nosso Senhor? Acaso, não sois fruto do meu trabalho no Senhor? (1 Coríntios 9:1)

Depois, foi visto por Tiago, mais tarde, por todos os apóstolos e, afinal, depois de todos, foi visto também por mim, como por um nascido fora de tempo. Porque eu sou o menor dos apóstolos, que mesmo não sou digno de ser chamado apóstolo, pois persegui a igreja de Deus. (1 Coríntios 15:7-9)

Note que Paulo diz que ele foi o último dos apóstolos comissionados por Jesus. Suas palavras foram aqui inspiradas por Deus, e portanto não há a possibilidade que ele estivesse enganado, ou que apenas desconhecesse outros apóstolos comissionados depois dele.

2. O apóstolo tinha de ter recebido sua comissão apostólica diretamente de Jesus.

Os Doze apóstolos originais tinham comissão direta de Jesus:

E, quando amanheceu, chamou a si os seus discípulos e escolheu doze dentre eles, aos quais deu também o nome de apóstolos: Simão, a quem acrescentou o nome de Pedro, e André, seu irmão; Tiago e João; Filipe e Bartolomeu; Mateus e Tomé; Tiago, filho de Alfeu, e Simão, chamado Zelote; Judas, filho de Tiago, e Judas Iscariotes, que se tornou traidor. (Lucas 6:13-16; cf. Mt. 10:1-7; Mc. 3:14)

Por esta razão, quando da apostasia de Judas e da necessidade de que seu ofício fosse preenchido por outro, os apóstolos buscaram a comissão direta de Deus:

É necessário, pois, que, dos homens que nos acompanharam todo o tempo que o Senhor Jesus andou entre nós, começando no batismo de João, até ao dia em que dentre nós foi levado às alturas, um destes se torne testemunha conosco da sua ressurreição. Então, propuseram dois: José, chamado Barsabás, cognominado Justo, e Matias. E, orando, disseram: Tu, Senhor, que conheces o coração de todos, revela-nos qual destes dois tens escolhido para preencher a vaga neste ministério e apostolado, do qual Judas se transviou, indo para o seu próprio lugar. E os lançaram em sortes, vindo a sorte recair sobre Matias, sendo-lhe, então, votado lugar com os onze apóstolos. (Atos 1:21-26)

Da mesma maneira, Paulo enfatizou que tinha recebido sua comissão apostólica diretamente de Jesus:

Paulo, apóstolo, não da parte de homens, nem por intermédio de homem algum, mas por Jesus Cristo e por Deus Pai, que o ressuscitou dentre os mortos, (Gálatas 1:1)

Faço -vos, porém, saber, irmãos, que o evangelho por mim anunciado não é segundo o homem, porque eu não o recebi, nem o aprendi de homem algum, mas mediante revelação de Jesus Cristo. (Gálatas 1:11-12)

Quem eram os Apóstolos?

O número original dos apóstolos, como visto acima, era de 12. Havia significado profético nesse fato, pois seu número correspondia ao número de tribos de Israel. Os 12 apóstolos originais eram a liderança do povo de Deus na Nova Aliança.

Além dos 12, somente duas pessoas são mencionadas explicitamente como sendo apóstolos no Novo Testamento: Paulo (veja acima) e Tiago, o irmão de Jesus e líder da igreja em Jerusalém (Gl. 1:19; 2:9). Paulo menciona claramente que Jesus apareceu ressurreto a Tiago (1 Co. 15:7), e sua liderança em Jerusalém evidencia que os apóstolos tinham reconhecido seu comissionamento direto por Jesus. Quanto a Barnabé (At. 14:4; 14), há duas possibilidades. É possível que as referências em At. 14 tenham o sentido mais técnico da palavra. Neste caso, considerando-se todos os dados acima, e a maneira altamente seletiva na qual o Novo Testamento intitula uma pessoa como apóstolo, se o texto indica que Barnabé era apóstolo no sentido mais restrito pode-se deduzir que ele também possuía as mesmas qualificações dos demais apóstolos. É mais provável, porém, que o sentido da palavra em At. 14 é o mais amplo, já que Paulo e Barnabé tinham sido enviados para uma missão pela igreja em Antioquia, à qual deveriam prestar contas quando completassem a determinada obra (cf. At. 14:27).

Não é impossível que houvesse outros indivíduos que pudessem ter sido considerados apóstolos no primeiro século. Os dados acima estabelecem, contudo, dois pontos principais: em primeiro lugar, mesmo se houvesse outros apóstolos, eles eram com certeza um grupo seleto (pois poucos tinham as duas qualificações necessárias para o oficio) do qual Paulo foi o último membro comissionado (1 Co. 15:8). Isso por si só exclui a possibilidade de haver qualquer apóstolo comissionado por Deus após Paulo. Ninguém pode, após o primeiro século, alegar ter recebido um comissionamento direto de Jesus, através de uma visão ou revelação, para o ofício do apostolado. Deus não contradiz a sua própria Palavra.

Segundo, nenhuma pessoa que não tivesse recebido diretamente de Jesus a autoridade para escrever a Palavra de Deus pela inspiração do Espírito Santo, ou recebido tal comissionamento por um dos apóstolos, não podia ser considerado apóstolo. Tal fato é corroborado não só pela evidência bíblica, mas também pela história da Igreja no processo de reconhecimento do cânon. Isto significa que, estando o número de livros da Bíblia completo, a Palavra de Deus tendo sido por Ele mesmo produzida e preservada por dois mil anos, não é possível que haja apóstolos após a completude do cânon no primeiro século.

O Papel dos Apóstolos na Igreja.
Paulo, sob a inspiração do Espírito Santo, nos diz que os apóstolos tiveram um papel definido no plano de Deus para a edificação de sua Igreja. Ele diz aos Efésios que os apóstolos e profetas foram o fundamento da Igreja:

Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular; (Efésios 2:19-20)

Da mesma maneira, o apóstolo João descreve o edifício da Igreja de Deus glorificada tendo os apóstolos como fundamento:

Então, veio um dos sete anjos que têm as sete taças cheias dos últimos sete flagelos e falou comigo, dizendo: Vem, mostrar-te-ei a noiva, a esposa do Cordeiro; e me transportou, em espírito, até a uma grande e elevada montanha e me mostrou a santa cidade, Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, a qual tem a glória de Deus. O seu fulgor era semelhante a uma pedra preciosíssima, como pedra de jaspe cristalina. Tinha grande e alta muralha, doze portas, e, junto às portas, doze anjos, e, sobre elas, nomes inscritos, que são os nomes das doze tribos dos filhos de Israel. Três portas se achavam a leste, três, ao norte, três, ao sul, e três, a oeste. A muralha da cidade tinha doze fundamentos, e estavam sobre estes os doze nomes dos doze apóstolos do Cordeiro. (Apocalipse 21:9-14)

Conclusão.

Podemos concluir que a evidência bíblica descarta a possibilidade de que possa haver apóstolos após a primeira geração da Igreja no primeiro século. Como consequência, certamente não há apóstolos nos dias de hoje. Os apóstolos eram um grupo seleto de testemunhas oculares de Jesus ressurreto, comissionados pelo próprio Jesus. Somente eles tinham a autoridade para escrever e/ou supervisionar a redação das Escrituras.

O cânon da Palavra de Deus, estando completo, não pode ser expandido por nenhum documento, e portanto, não há nenhum apóstolo moderno que tenha tal autoridade. Ao mesmo tempo, nenhuma pessoa que não tenha essa autoridade pode ser considerada um apóstolo. Deus não mais confere revelações infalíveis a ninguém. As revelações infalíveis de Deus se encontram exclusivamente no cânon completo das Escrituras.

É importante salientar que o ministério dos apóstolos continua na Igreja hoje – não em pessoas que se denominam apóstolos, mas no Novo Testamento. Cada vez que a Palavra de Deus no Novo Testamento é lida e proclamada, o ministério apostólico cumpre o seu papel. Os apóstolos do primeiro século vivem hoje na Igreja através da Palavra nos dada por Deus por intermédio deles.
Segundo a Palavra de Deus, Paulo foi o último apóstolo. Os únicos ofícios que permanecem na Igreja (ainda que haja diversos ministérios) são os de pastor (ou presbítero, ou bispo – os três termos significando o mesmo ofício no Novo Testamento) e de diácono.
* Rev. Marcelo Parga de Souza é ministro associado da
Christ Reformed Church
em Anaheim, Califórnia
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Apostolado ou Apostolice
Márcio Redondo

Já faz algum tempo eu andava curioso por conhecer melhor o chamado movimento apostólico. Não estou falando da Igreja Primitiva, não. Refiro-me aos apóstolos de nossos dias, esses que começaram a pipocar depois de 1980.

Então, há algum tempo, reencontrei meu amigo Freddy Guerrero, que mora em Quito, no Equador. Tive a grata surpresa de saber que ele está investigando o assunto, como parte de seus estudos de pós-graduação. Eu, um leigo no assunto, diante de um "expert"... É claro que o bombardeei de perguntas.
Descobri várias coisas. Existem pelo menos três grandes redes apostólicas. É isso mesmo. São três redes. Quer dizer, estão divididos. Desde logo, vê-se que os apóstolos do século XXI não são um exemplo de unidade em Cristo.

Em todas as três redes há uma fortíssima ênfase na batalha espiritual. A maior das redes é de linha carismática. Outra é messiânica, e a terceira é judaizante. Aliás, fiquei de queixo caído ao saber que os apóstolos da linha judaizante negam que Jesus seja Deus.
O movimento apostólico ensina que cada apóstolo possui autoridade espiritual sobre territórios específicos. Um é apóstolo de Buenos Aires, outro é da Cidade do México, e assim por diante. É claro que o Brasil também já está "loteado". Segundo cálculos feitos por Freddy, existem hoje no mundo todo uns 10 mil "apóstolos".

Estes alegam possuir a mais alta autoridade espiritual em suas respectivas regiões. Todas as igrejas, de qualquer denominação, e mesmo aquelas sem filiação denominacional estão sob a autoridade deles. Bem, pelo menos é assim que pensam.
Aproveito para mencionar que Freddy chegou a ser convidado por um "apóstolo" argentino para se tornar "apóstolo" de Quito. Se tivesse aceitado, o argentino teria imposto as mãos sobre Freddy e hoje eu seria amigo de um "apóstolo".

Felizmente, Freddy teve o bom senso de rejeitar o convite. Fica um pouco a ideia de clube do Bolinha, com um apóstolo convidando alguém para se tornar um deles.
Pessoalmente, creio que alguns desses "apóstolos" são sinceros em seu desejo de servir a Deus, embora estejam equivocados. Mas não posso dizer isso de todos. Sem citar nomes, Freddy me contou casos de "apóstolos" envolvidos em escândalos sexuais, disputas por poder, enriquecimento à custa das igrejas, etc.
Capaz!!! (ênfase minha)

Outro amigo me contou de um "apóstolo" aqui no Brasil que, na sua estratégia de batalha espiritual, resolveu delimitar as fronteiras de sua jurisdição. Como Jesus Cristo é apresentado na Bíblia como o leão de Judá (Apocalipse 5.5) e como os leões demarcam seu território com urina, esse "apóstolo" começou a sair pelas ruas de sua cidade e circunscrever sua área com... sua própria urina! Quanta ingenuidade!
Uma leitura atenta do Novo Testamento nos leva a questionar não apenas certas práticas do movimento apostólico, mas o próprio movimento. Se não, vejamos:
Biblicamente a palavra "apóstolo" tem a ideia de procurador ou representante de alguém. A ênfase do vocábulo não está na tarefa em si, mas em quem deu a tarefa ao apóstolo.

Por esse motivo, em várias de suas cartas, Paulo se apresenta como "apóstolo de Cristo Jesus" (Gálatas 1.1; Efésios 1.1; Colossenses 1.1; 1 Timóteo 1.1; 2 Timóteo 1.1), pois é Jesus quem o havia comissionado. E essa procuração era intransferível.

Nem Paulo nem os demais apóstolos da Igreja Primitiva tinham o direito de chamar alguém para ser apóstolo junto com eles. A escolha de alguém para o apostolado era prerrogativa do próprio Jesus (Atos 1.2).
Além disso, apóstolo era alguém que viu pessoalmente a Jesus ressuscitado (Atos 1.21-26). Aliás, ao defender seu apostolado, Paulo faz uma clara associação entre ser apóstolo e ter visto Jesus (1 Coríntios 9.1).

Ele também afirma que Jesus ressuscitado apareceu a todos os apóstolos. No seu caso pessoal, Jesus apareceu-lhe "como a um que nasceu fora de tempo" (1 Coríntios 15.7), pois foi em circunstâncias excepcionais, após Jesus ter subido ao céu, que Paulo viu Jesus (Atos 9.3-6).
Os apóstolos do Novo Testamento caracterizavam-se, entre outras coisas, por “sinais, prodígios e poderes miraculosos” (2Co 12.12; ver tb At 5.12). Isso funcionava como confirmação de que o apóstolo recebera autoridade da parte do Senhor Jesus.

Os acontecimentos não eram coisas do tipo cair no culto, mas verdadeiros milagres, como cura de aleijados de nascença (At 3.2-8; 14.8-10) e ressurreição de um jovem (At 20.9-12)
Para concluir, o ministério apostólico neo-testamentário não era delimitado geograficamente. Paulo, por exemplo, foi apóstolo dos gentios (Gálatas 2.8; Romanos 11.13). Não estava preocupado com territórios, mas com pessoas. Para ele não havia fronteiras. Seu interesse era levar não-judeus ao conhecimento de Jesus, não importa onde estivessem.
Minha dificuldade em aceitar o movimento apostólico dos nossos dias reside em que os "apóstolos" modernos não viram Jesus ressuscitado, não foram designados pessoalmente pelo próprio Jesus, não realizam prodígios e sinais como na época do Novo Testamento e, ao contrário dos apóstolos do século I, se preocupam com a distribuição territorial. Minha conclusão é que tais pessoas declaram-se apóstolos, mas na verdade nunca o foram (2 Coríntios 11.13; Apocalipse 2.2).
Se, apesar das objeções acima, você ainda está pensando em seguir a profissão de apóstolo, é melhor se apressar. Infelizmente as áreas nobres já estão ocupadas. Mas ainda existem cidades menores sem dono. A propósito, parece que a Antártida ainda não tem apóstolo. Um continente inteiro à disposição! Alguém se candidata?


Márcio Redondo - Membro da Igreja Batista Bairro Aeroporto (Londrina, PR), é professor de tempo integral da Faculdade Teológica Sul-Americana, onde também exerce as funções de Vice-Diretor e Coordenador de Pós-Graduação e Pesquisa e edita a revista eletrônica Teologia Hoje. Pastor e professor de teologia desde 1976, é também conhecido por seu trabalho de tradução de livros acadêmicos, inclusive Bíblias. Trabalha como editor para a Edições Vida Nova.



segunda-feira, 12 de março de 2012

“Cair no Espírito” tem respaldo bíblico?

Muitos propagadores do “cair no Espírito” afirmam que, no dia de Pentecostes, o “mover de Deus” foi tão grande e espantoso que uma parte da multidão reunida em Jerusalém pensou que os cristãos estavam embriagados (At 2.13,16). Mas o contexto mostra que a zombaria dos incrédulos se deu em razão de os servos do Senhor terem falado nas línguas das pessoas de diferentes nacionalidades que ali estavam (vv.5-11). O culto a Deus deve ser controlado pelo Espírito Santo, que age em perfeita harmonia com a Palavra, para que tudo ocorra com decência e ordem (1 Co 14.20-40).

Na hierarquização feita pelo Senhor quanto a dons ministeriais, Ele priorizou os ministérios ligados à pregação e ao ensino (1 Co 12.28). Nas igrejas em que ocorre o “mover” em apreço, a exposição da Palavra torna-se secundária ou até “desnecessária”. Alguns defensores de manifestações não previstas em Marcos 16.15-18 citam 1 Coríntios 1.25 e afirmam: “Você acha esse mover estranho? Isso é a unção da loucura de Deus”. Entretanto, este termo não se refere à loucura proveniente de Deus. Trata-se de uma alusão eufêmica à superioridade da sabedoria do Senhor em relação à dos homens.

Daniel 10.8-9 e Apocalipse 1.17, em razão de mencionarem as quedas de Daniel e João, são passagens usadas em prol do “cair no Espírito”. O primeiro, sem forças para permanecer em pé, após ter jejuado por três semanas, caiu sobre o seu rosto, sendo imediatamente amparado por um enviado de Deus, que ordenou: “levanta-te sobre os teus pés” (v.11). O caso de João é semelhante (Ap 1.10-18). Nota-se que nenhum dos dois foi derrubado por sopros ou golpes de capas, tampouco perdeu a consciência. Ambos caíram prostrados sobre os seus rostos, diante da glória do Senhor.

Outra passagem muito citada na tentativa de avalizar o “cair no Espírito” é João 14.12: “aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço e as fará maiores do que estas”. Aqui, o termo “obras” (gr. ergon) significa: “trabalho”, “ação”, “ato”. Exegeticamente, “obras maiores” são as mesmas realizadas por Jesus, mas em maior quantidade e alcance, e não em qualidade. O Senhor não aludiu a novos “moveres”, mas à pregação do Evangelho e à expansão do seu Reino na terra.

Finalmente, o texto mais citado pelos pregadores que ministram o “cair no Espírito” é 1 Reis 8.10-11. Mas esta passagem nada fala sobre essa manifestação. Ela relata que a nuvem da glória do SENHOR encheu a sua Casa e impediu os sacerdotes de ministrar: “não podiam ter-se em pé os sacerdotes para ministrar, por causa da nuvem”. Eles se retiraram do local, pois “não puderam permanecer ali” (ARA). Em Atos dos Apóstolos não há referência que abone o “mover” em questão. À luz do Novo Testamento, são os demônios que lançam pessoas ao chão (Mc 9.17-27; Lc 4.35). Jesus jamais derrubou alguém mediante sopros, golpes de capa ou imposição de mãos. Em seu ministério terreno, Ele ensinava, pregava e curava os enfermos (Mt 4.23; At 10.38).


Ciro Sanches Zibordi
Artigo publicado no jornal Mensageiro da Paz de fevereiro de 2012

sexta-feira, 9 de março de 2012


Hebreus 1:8-12
8 Mas, com referência ao Filho: “Deus é o teu trono para todo o sempre, e [o] cetro do teu reino é o cetro da retidão. 9 Amaste a justiça e odiaste o que é contra a lei. É por isso que Deus, o teu Deus, te ungiu com óleo de exultação mais do que a teus associados.” 10 E: “Tu, ó Senhor, lançaste no princípio os alicerces da própria terra, e os céus são obras das tuas mãos. 11 Eles é que perecerão, mas tu é que hás de permanecer continuamente; e todos eles envelhecerão qual roupa exterior, 12 e tu os enrolarás assim como a uma capa, como a uma roupa exterior; e eles serão mudados, mas tu és o mesmo, e os teus anos nunca se acabarão.”

Salmos 102:24-27
24 Passei a dizer: “Ó meu Deus,
Não me retires na metade dos meus dias;
Teus anos são por todas as gerações.
25 Há muito lançaste os alicerces da própria terra
E os céus são o trabalho das tuas mãos.
26 Eles é que perecerão, mas tu mesmo continuarás de pé;
E todos eles se gastarão como a roupa.
Tu os substituirás assim como a uma vestimenta e eles terminarão a sua vez.
27 Mas tu és o mesmo, e os teus próprios anos não se completarão.

Hebreus está falando de quem? E em Salmos?

Mais uma comparação!!

João 12:37-42
37 Mas, embora tivesse realizado tantos sinais na frente deles, não depositavam fé nele, 38 de modo que se cumpriu a palavra de Isaías, o profeta, que disse: “Jeová, quem depositou fé na coisa ouvida por nós? E quanto ao braço de Jeová, a quem tem sido revelado?” 39 A razão por que não podiam crer é que Isaías disse novamente: 40 “Cegou-lhes os olhos e endureceu-lhes os corações, para que não vissem com os seus olhos, nem compreendessem o pensamento com os seus corações, nem se voltassem e eu os sarasse.” 41 Isaías disse estas coisas, porque viu a sua glória e falou dele. 42 De qualquer modo, muitos dos próprios governantes depositavam realmente fé nele, mas, por causa dos fariseus, não [o] confessavam, a fim de que não fossem expulsos da sinagoga;

Isaías 6:1
1 No ano em que morreu o Rei Uzias, eu, no entanto, cheguei a ver Jeová sentado num trono enaltecido e elevado, e as orlas da sua [veste] enchiam o templo.

Pergunta: Em Isaías 6:1, A glória de quem; é que Isaías viu? E de quem João está falando em João 12:41? Observem João 12:42.


Há mais textos, mas por enquanto fico por aqui. 


Bíblia TNM, os grifos são meus.

terça-feira, 6 de março de 2012

Para os Que Estão a Investigar o "Mormonismo"

Se o leitor está a investigar o Mormonismo ("Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias" ou "Igreja mórmon"), provavelmente está a estudar em reuniões privadas em sua casa, com missionários dessa igreja. Eis alguns aspectos chave que talvez lhe tenham dito:


·         O Mormonismo começou quando Joseph Smith, um jovem da zona oeste de Nova Iorque, foi incitado por um revivalismo cristão que ocorreu no local onde ele vivia em 1820 a orar a Deus por orientação para saber qual das igrejas era a verdadeira. Em resposta às suas orações, ele foi visitado por Deus o Pai e Deus o Filho, dois seres separados, que lhe disseram que não se devia juntar a nenhuma igreja porque todas as igrejas existentes nesse tempo eram falsas, e ele, Joseph, geraria a igreja verdadeira. Este acontecimento é chamado "A Primeira Visão."
·         Em 1823 Joseph teve outra visita celestial, na qual um anjo chamado Moroni lhe contou a respeito de uma história sagrada escrita por hebreus da antiguidade na América, gravada num dialeto egípcio em tabuinhas de ouro e enterradas num monte próximo. Joseph foi informado que continham a história dos povos da América da antiguidade, e que Joseph seria o instrumento usado para trazer este registo ao conhecimento do mundo. Joseph obteve estas placas de ouro do anjo em 1827 e traduziu-as para inglês através do espírito de Deus e do uso de um instrumento sagrado que acompanhava as placas, chamado "Urim e Tumim." A tradução foi publicada em 1830 como The Book of Mormon [O Livro de Mórmon].
·         The Book of Mormon [O Livro de Mórmon] é uma história religiosa e secular dos habitantes do hemisfério ocidental desde cerca de 2200 AC até cerca de 421 AD. Diz ao leitor que todos os índios americanos são descendentes de três grupos de imigrantes que foram conduzidos por Deus dos seus lares originais no oriente próximo para a América. Um grupo veio da Torre de Babel e outros dois grupos vieram de Jerusalém imediatamente antes do cativeiro Babilónico, cerca de 600 AC. Eles foram conduzidos por profetas de Deus que tinham o evangelho de Jesus Cristo, que está preservado na sua história, o Livro de Mórmon. Muitos dos descendentes destes imigrantes eram cristãos, mesmo antes de Cristo ter nascido na Palestina, mas muitos eram descrentes. Crentes e descrentes travaram muitas guerras, a última das quais apenas deixou como sobreviventes descrentes degenerados, que são os antepassados dos índios americanos. O acontecimento mais importante durante esta longa história foi a visita de Jesus Cristo à América, depois da sua crucificação, quando ele ministrou (e converteu) todos os habitantes.
·         Joseph Smith foi dirigido por revelação de Deus no sentido de restabelecer ("restaurar") a verdadeira igreja, o que fez em 1830. Ele foi visitado várias vezes por mensageiros celestiais, que o ordenaram no verdadeiro sacerdócio. Ele continuou a ter revelações de Deus para guiar a igreja e para dar mais conhecimento do Evangelho. Muitas destas revelações estão publicadas em Doctrine and Covenants [Doutrina e Convénios].
·         Joseph Smith e os seus seguidores foram perseguidos continuamente devido às suas crenças religiosas, e mudaram-se do Estado de Nova Iorque para o Ohio, depois para o Missouri, depois para o Illinois, onde Joseph Smith foi assassinado em 1844 por uma multidão, um mártir devido às suas crenças. A igreja foi depois conduzida por Brigham Young, o sucessor de Joseph, para o Utah, onde os Mórmons se estabeleceram com sucesso.
·         A igreja Mórmon é dirigida atualmente pelos sucessores de Joseph Smith. O atual presidente da igreja é um "profeta, vidente e revelador" exatamente como Joseph Smith era, e guia os membros da igreja através de revelações e orientação de Deus.
·         A igreja Mórmon moderna é a única igreja verdadeira, conforme restaurada por Deus através de Joseph Smith. Outras igrejas, derivadas da igreja cristã primitiva, estão em apostasia porque os seus líderes corromperam as escrituras, mudaram os rituais da igreja original e muitas vezes levam vidas corruptas, perdendo desse modo a autoridade.
·         Ao aceitar o baptismo na igreja Mórmon, a pessoa toma o primeiro passo necessário em direcção à salvação e à entrada definitiva no Reino do Céu (o "Reino Celestial").

O que os missionários não lhe dirão

Eis um sumário de importantes factos sobre a igreja Mórmon e a sua história que os missionários provavelmente não lhe dirão. Não estamos a sugerir que eles o estão a enganar intencionalmente -- a maioria dos jovens mórmons que servem em missões para a igreja não são conhecedores da história da igreja ou de estudos críticos modernos sobre a igreja. Provavelmente eles próprios não conhecem todos os factos. Contudo, eles foram treinados para dar aos investigadores "leite antes da carne", ou seja, adiam a revelação de toda a informação que pode tornar um investigador hesitante, mesmo que seja verdadeira. Mas o leitor deve tomar conhecimento destes factos antes de se comprometer.
Cada um dos factos que apresentamos em seguida é fundamentado em sólida investigação histórica. E esta lista não é de modo algum exaustiva! Para consultar links de artigos em inglês que fundamentam cada um destes pontos, clique na palavra NOTAS, que está a seguir a cada item.
·         A história da "Primeira Visão", na forma que os mórmons hoje apresentam, era desconhecida até 1838, dezoito anos depois da sua alegada ocorrência e quase dez anos depois de Smith ter começado os seus esforços missionários. A versão mais antiga da visão, escrita pelo próprio Smith, é aproximadamente de 1832 (pelo menos onze anos depois da alegada visão), e diz que apenas um personagem, Jesus Cristo, lhe apareceu. Também não menciona nada sobre um reavivamento religioso e contradiz o relato posterior quanto a Smith já ter decidido que nenhuma igreja era verdadeira. Existe ainda uma terceira versão deste acontecimento, registada como uma recordação no diário de Smith, quinze anos depois da alegada visão, em que apenas um "personagem" aparece, sobre a qual se diz explicitamente que não é o Pai nem o Filho, acompanhada por muitos "anjos", que não são mencionados na versão oficial que os mórmons hoje contam. Qual das versões é correta? Por que é que este evento, que a igreja agora diz ser tão importante, foi desconhecido por tanto tempo? NOTAS
·         Um estudo cuidadoso da história religiosa do local onde Smith viveu em 1820 lança dúvida sobre se realmente houve um grande reavivamento religioso associado com a "Primeira Visão" nesse ano, como Smith e a sua família descreveram mais tarde. Os reavivamentos religiosos que ocorreram em 1817 e 1824 ajustam-se melhor ao que Smith descreveu mais tarde. NOTAS
·         Em 1828, oito anos depois de o próprio Deus alegadamente lhe ter dito que não se devia juntar a nenhuma igreja, Smith pediu para ser membro de uma igreja Metodista local. Outros membros da sua família tinham-se juntado aos Presbiterianos. NOTAS
·         Contemporâneos de Smith descrevem-no consistentemente como um vigarista cuja principal fonte de receitas era 'alugar-se' a agricultores locais para ajudá-los a encontrar tesouros enterrados, através do uso de magia popular e "pedras de vidência". De facto, Smith foi julgado em tribunal em 1826 sob acusação de ter andado a desenterrar ouro [ou dinheiro]. NOTAS
·         As únicas pessoas que afirmaram ter visto as placas de ouro foram onze amigos próximos de Smith (muitos deles familiares uns dos outros). Os testemunhos deles são impressos na primeira página de todas as cópias do Livro de Mórmon. Nunca foi permitido a terceiros examinar essas placas. As placas foram recolhidas pelo anjo em certo momento desconhecido. A maioria das testemunhas posteriormente abandonou o movimento. Então Smith chamou-lhes "mentirosos". NOTAS
·         Smith produziu a maior parte da "tradução", não através da leitura das placas usando o Urim e o Tumim (aparentemente um par de 'lentes' sagradas), mas sim contemplando a mesma "pedra de vidência" que ele tinha usado para procurar tesouros. Ele colocava a pedra no seu chapéu e depois usava-o para cobrir a face. A maior parte do tempo ele estava a ditar, as placas de ouro nem sequer estavam presentes, estavam num esconderijo. NOTAS
·         A história e civilização descritas detalhadamente no Livro de Mórmon não correspondem a nada que os arqueólogos tenham encontrado nas Américas. O Livro de Mórmon descreve uma civilização que durou mil anos, abrangendo tanto a América do Norte como a América do Sul, que tinha cavalos, elefantes, gado, ovelhas, trigo, cevada, aço, veículos com rodas, construção de navios, navios, moedas e outros elementos da cultura do Velho Mundo. Mas nunca se encontrou nas Américas desse período qualquer traço destas coisas supostamente muito comuns. E o Livro de Mórmon não menciona nenhuma das características das civilizações que realmente existiam nesse tempo nas Américas. A igreja mórmon gastou milhões de dólares ao longo de muitos anos tentando provar através de pesquisas arqueológicas que o Livro de Mórmon é um registo histórico exato, mas eles fracassaram em produzir nem que fosse um fragmento de evidência arqueológica pré-colombiana apoiando a história do Livro de Mórmon. Além disso, enquanto o Livro de Mórmon apresenta uma imagem de um povo relativamente homogéneo, com uma única língua e modo de comunicação entre partes longínquas das Américas, a história pré-colombiana das Américas mostra o oposto: tipos raciais muito diversos (quase completamente asiáticos de leste -- de modo nenhum semitas), e muitas línguas nativas independentes [não relacionadas entre si], nenhuma das quais está relacionada com o hebreu ou o egípcio, nem sequer remotamente. NOTAS
·         As pessoas do Livro de Mórmon eram supostamente judeus devotos que observavam a Lei de Moisés, mas no Livro de Mórmon não existe praticamente nenhum vestígio da sua observância da Lei Mosaica, nem notamos no livro um conhecimento exato dessa lei. NOTAS
·         Embora Joseph Smith tenha dito que Deus considerou "correta" a tradução completa das placas, conforme publicada em 1830, foram feitas muitas mudanças em edições posteriores. Além de milhares de correções de gramática defeituosa e palavras grosseiras que existiam na edição de 1830, foram feitas outras alterações para refletir mudanças subsequentes em algumas das doutrinas fundamentais da igreja. Por exemplo, uma mudança inicial na redação modificou a aceitação da doutrina da Trindade, na edição de 1830, permitindo assim que Smith introduzisse a sua doutrina posterior de múltiplos deuses. Uma mudança mais recente (1981) substituiu a palavra "branca" pela palavra "pura", aparentemente para refletir a mudança na posição da igreja em relação à "maldição" da raça negra. NOTAS
·         Joseph Smith disse que o Livro de Mórmon continha "a plenitude do evangelho". Contudo, o seu ensino em muitos assuntos doutrinais tem sido ignorado ou contrariado pela atual igreja mórmon e muitas doutrinas que a igreja agora diz serem essenciais nem sequer são mencionadas no livro. Exemplos são a posição da igreja na natureza de Deus, nascimento virginal, Trindade, poligamia, Inferno, sacerdócio, organizações secretas, natureza do Céu e salvação, templos, rituais por procuração em benefício dos mortos e muitos outros assuntos. NOTAS
·         Muitas das noções históricas básicas que encontramos no Livro de Mórmon já tinham aparecido impressas em 1825, dois anos antes de Smith ter começado a produzir o Livro de Mórmon, num livro chamado View of the Hebrews [Vista dos Hebreus], escrito por Ethan Smith (não era familiar de Joseph) e publicado num local muito próximo de onde Joseph Smith vivia. Um estudo cuidadoso deste livro obscuro levou um representante da igreja mórmon (o historiador B. H. Roberts, 1857-1933) a confessar que a evidência tendia a mostrar que o Livro de Mórmon não era um registo antigo, era antes um conjunto de histórias que o próprio Joseph Smith tinha inventado, baseado no que tinha lido no tal livro anterior. NOTAS
·         Embora os mórmons afirmem que Deus está a guiar a igreja mórmon através do seu presidente (que tem o título "profeta, vidente e revelador"), os sucessivos "profetas" têm repetidamente conduzido a igreja para empreendimentos que foram fracassos sombrios e noutros casos não conseguiram prever desastres que se aproximavam. Para mencionar apenas alguns: o Kirtland Bank, a United Order, a reunião de Sião no Missouri, a expedição no Zion's Camp, poligamia, o Alfabeto Deseret. NOTAS. O exemplo mais recente é a fraude que o traficante de manuscritos Mark Hofmann conseguiu vender à igreja em 1980. Ele foi bem sucedido em vender à igreja por milhares de dólares manuscritos que tinham sido forjados. A igreja aceitou-os como sendo documentos históricos genuínos. Os líderes da igreja ficaram a saber a verdade sobre esta fraude, não de Deus, através de uma revelação, mas de peritos não-mórmons e da polícia, depois de Hofmann ter sido preso por dois crimes que cometeu para encobrir a sua fraude. Este escândalo foi noticiado a nível nacional [nos E.U.A.] NOTAS
·         O ritual secreto no templo (a "doação") foi introduzido por Smith em Maio de 1842, apenas dois meses depois de ele ter sido iniciado na Maçonaria. O ritual secreto no templo mórmon assemelha-se muito ao ritual maçónico desse tempo. NOTAS. Smith explicou que os Maçons tinham corrompido o ritual antigo (dado por Deus), mudando-o e removendo certas partes. Disse ainda que ele estava a restaurá-lo à sua forma "pura" e "original" (e completa), conforme lhe fora revelada por Deus. Nos 150 anos que passaram desde então, a igreja mórmon fez muitas mudanças fundamentais no ritual "puro e original" conforme "restaurado" por Smith, e fizeram isto principalmente removendo grandes partes desse ritual. NOTAS
·         Muitas doutrinas que em tempos passados foram ensinadas pela igreja mórmon e apresentadas como fundamentais, essenciais e "eternas", foram abandonadas. O ponto aqui não é se a igreja estava correta em abandonar essas doutrinas; em vez disso, o ponto é que uma igreja que alega ser a igreja de Deus toma uma posição "eterna" numa altura e a posição oposta noutra altura, e em qualquer dos casos afirma estar a proclamar a palavra de Deus. Alguns exemplos são:
·         A doutrina que diz que Adão era Deus, o Pai; NOTAS
·         A Ordem Unida (toda a propriedade dos membros da igreja deve ser tida em comum e registada em nome da igreja);
·         Casamentos plurais (poligamia; um homem tem de ter mais de uma esposa para alcançar o grau mais elevado do céu); NOTAS
·         A maldição de Caim (a raça negra não tem permissão de receber o sacerdócio de Deus porque está amaldiçoada; esta doutrina só foi abandonada em 1978); NOTAS
·         Expiação pelo Sangue (alguns pecados -- apostasia, adultério, assassínio, casamento interracial -- têm de ser expiados através do derramamento do sangue do pecador, preferencialmente por alguém designado para o efeito pelas autoridades da igreja); NOTAS
Todas estas doutrinas foram proclamadas pelo profeta reinante como sendo a Palavra de Deus, "eternas", "durando indefinidamente", para governar a igreja "para todo o sempre". Todas foram abandonadas pela igreja atual.
·         Joseph Smith afirmou ser um "tradutor" pelo poder de Deus. Além do Livro de Mórmon, ele fez várias "traduções" adicionais:
·         O Book of Abraham [Livro de Abraão], a partir de papiros [rolos] egípcios que obteve em 1838. Ele declarou que os rolos foram escritos pelo Abraão de que fala a Bíblia, "pela sua própria mão". A tradução de Smith é agora aceite como sendo escritura pela igreja mórmon, como parte da Pearl of Great Price [Pérola de Grande Valor]. Smith também produziu uma "Gramática Egípcia" baseada na sua tradução. Os modernos especialistas do egípcio da antiguidade concordam que os rolos são rolos de funeral egípcio comuns, inteiramente pagãos na sua natureza, não tendo nada que ver com Abraão, e datam de um período 2000 anos posterior a Abraão. A "Gramática", dizem os egiptólogos, prova que Smith não tinha qualquer noção da língua egípcia. É pura fantasia: ele inventou-a. NOTAS
·         A "Revisão Inspirada" da King James Bible [uma tradução da Bíblia]. Deus teria supostamente ordenado a Smith que traduzisse novamente a Bíblia porque as traduções existentes continham erros. Ele completou a sua tradução em 1833, mas a igreja ainda usa a King James Bible. NOTAS
·         As "Placas Kinderhook", um grupo de oito placas de metal com estranhos caracteres gravados, desenterradas em 1843 perto de Kinderhook, Illinois, e examinadas por Smith, que começou a fazer uma "tradução" delas. Ele nunca completou a tradução, mas identificou as placas como um "registo antigo", e traduziu o suficiente para identificar o autor como sendo um descendente de Faraó. Agricultores locais confessaram mais tarde que eles próprios tinham produzido, gravado e enterrado as placas, como uma fraude. Eles tinham copiado os caracteres de uma caixa de chá chinesa. NOTAS
·         Joseph Smith afirmou ser um "profeta". Ele profetizou frequentemente eventos futuros "pelo poder de Deus". Muitas destas profecias estão registadas na obra mórmon intitulada Doctrine and Covenants [Doutrina e Convénios]. Quase nenhuma se cumpriu, e muitas não se podem cumprir agora porque as ações que deviam ser feitas pelas pessoas nomeadas nunca foram realizadas e essas pessoas agora estão mortas. Muitas profecias incluíam datas para o seu cumprimento e essas datas já passaram há muito tempo, sendo que os acontecimentos nunca ocorreram. NOTAS
·         Joseph Smith não morreu como mártir mas sim numa batalha de tiros de pistola, na qual ele próprio disparou vários tiros. Ele estava preso nesse tempo, sob detenção por ter ordenado a destruição de um jornal de Nauvoo que se atreveu a publicar uma exposição (que era verdadeira) das ligações sexuais secretas de Joseph Smith. Nesse tempo ele tinha anunciado a sua candidatura para a presidência dos Estados Unidos, tinha estabelecido um governo secreto e tinha-se coroado secretamente como o "Rei do Reino de Deus". NOTAS
·         Desde a fundação da igreja até à atualidade, os líderes da igreja não têm hesitado em mentir, falsificar documentos, reescrever ou suprimir a história ou fazer tudo o que for necessário para proteger a imagem da igreja. Muitos historiadores mórmons foram excomungados da igreja por terem publicado as suas descobertas acerca da verdadeira história mórmon. NOTAS

A sua vida como mórmon

Se o leitor decidir tornar-se um membro da igreja mórmon, deve saber como será a sua vida na igreja. Embora seja calorosamente aceite por uma animada comunidade de pessoas saudáveis, ativas e que geralmente o apoiam, muitas delas sendo felizes no mormonismo e não podendo imaginar as suas vidas sem a essa religião, existe outro lado da questão:
·         O leitor será continuamente lembrado que para entrar no grau mais alto do céu (o "Reino Celestial"), terá de passar pela cerimónia da doação ["endowment"] no templo e ter "selado" o seu casamento com a sua esposa. (Se a sua esposa não é mórmon, você não pode entrar no grau mais alto do céu.) Para obter permissão para ter estas cerimónias realizadas no templo, você tem de provar que é um membro obediente e fiel da igreja e tem fazer tudo o que as autoridades da igreja ordenam, desde o Profeta até ao nível local. Terá de passar por uma entrevista pessoal com as autoridades locais da igreja para avaliar o seu valor, na qual eles lhe fazem perguntas sobre a sua vida privada e as suas atividades religiosas e sociais. NOTAS
·         Eles esperam de si que dê pelo menos dez por cento das suas receitas à igreja, como dízimo. Eles esperam que faça outros donativos, conforme a necessidade surgir. Você nunca verá um relatório de como esse dinheiro é gasto, ou quanto a igreja recebe, ou seja o que for acerca da condição financeira; a igreja mantém as suas finanças secretas, mesmo dos seus membros. NOTAS
·         Eles esperam que você abandone o uso do álcool, tabaco, café e chá. NOTAS
·         Eles esperam que você cumpra qualquer designação de trabalho que lhe for atribuída. Estas designações podem ser posições de ensino, posições de funcionário, ajudando em várias tarefas de apoio -- qualquer trabalho que precise de ser feito. Cada tarefa que realizar com sucesso torná-lo-á elegível para outras, com mais responsabilidade e mais exigências sobre o seu tempo. Os membros que realizam estes trabalhos, mesmo aqueles que envolvem conselho pastoral delicado, não recebem qualquer treino formal (não existe clero pago, treinado). Ser-lhe-á dito que Deus o chamou para as suas designações. Muitos mórmons têm a maior parte do seu tempo livre ocupado com trabalho da igreja, tentando cumprir as numerosas designações que lhes foram dadas.
·         Eles esperam que você seja obediente às autoridades da igreja em tudo o que lhe ordenarem. O slogan é "siga a irmandade", e significa seguir sem dúvidas ou questionamentos. Eles desencorajam a discussão da correção dos decretos que vêm de cima. Eles esperam que você tenha fé que os líderes não o podem desencaminhar. Mesmo se eles lhe disserem algo que contradiz um profeta anterior, dirão: "Um profeta vivo tem precedência sobre um profeta morto." NOTAS
·         Poderá "votar" naqueles que foram designados para posições de autoridade sobre si, mas a votação será feita através do método de braço no ar numa reunião pública. Só se votará num candidato para cada cargo (naquele indivíduo que for "chamado por Deus"). Portanto o voto é sempre unânime a favor do candidato.
·         Será instruído a não ler qualquer material que "não promova a fé", isto é, que possa ser crítico em relação à igreja ou aos seus líderes, ou que possa colocar a igreja ou os líderes sob uma luz desfavorável.
·         Será instruído a não se associar com "apóstatas", isto é, com ex-mórmons. (Na entrevista em que avaliam o seu "valor", farão perguntas sobre este ponto.) NOTAS
·         Se você não é casado(a), será encorajado(a) a casar com um(a) bom (boa) mórmon, tão cedo quanto possível. Quando casar, numa cerimónia de casamento no templo, os membros da sua família e amigos que não são mórmons não serão autorizados a assistir à cerimónia, porque apenas os mórmons "com valor" têm autorização para entrar no templo.
·         Se é homossexual, será pressionado a abandonar este aspecto "mau" da sua natureza. Se não o fizer, provavelmente não será completamente aceite por outros membros da igreja. Se não permanecer celibatário, pode ser excomungado. NOTAS
·         Se é do sexo masculino, tem mais de 12 anos de idade e é "prestável" [ou "tem valor"] (ou seja, se é obediente, se assiste às reuniões, se não se masturba NOTAS, etc.), será ordenado num dos níveis do sacerdócio e, se continuar a ser fiel e obediente, subirá gradualmente através dos vários níveis do sacerdócio. Se é do sexo feminino, receberá os benefícios da autoridade do sacerdócio apenas de forma indireta, através do seu pai ou marido mórmon. O papel da mulher mórmon é ser esposa e mãe e obedecer e honrar o seu esposo (ou pai) sacerdote. NOTAS
·         Se você provar que é fiel, que trabalha arduamente e é obediente, será posteriormente considerado digno de "receber a sua dotação [ou doação]" num templo mórmon. Não lhe será dito antecipadamente exatamente o que esperar nesta longa cerimónia, exceto que os detalhes do ritual são secretos (os mórmons preferem dizer que os detalhes são "sagrados", mas eles tratam-nos como se fossem secretos). Como parte dessa cerimónia, será requerido de si que faça várias promessas juradas. Atualmente já não se menciona a punição pela violação dessas promessas, mas até 1990 a punição era a morte por vários meios sangrentos, como por exemplo ter a garganta cortada de orelha a orelha. Receberá sinais e palavras-passe secretos que são necessários para entrar no céu. (Embora a maioria dos mórmons que não receberam a doação ["endowment"] saibam muito pouco sobre a cerimónia, a liturgia está agora disponível por inteiro na Internet, para toda a gente ver.) Depois de receber a doação ["endowment"], será exigido de si que use sempre uma roupa interior especial. NOTAS
·         Se você alguma vez decidir que cometeu um erro quando se juntou à igreja e depois sair dela, provavelmente descobrirá (a julgar pelas experiências de outros que já passaram por isso) que muitos dos seus amigos mórmons o abandonarão e não falarão consigo [vão evitá-lo]. Se não conseguir convencer os membros da sua família a sair da igreja consigo, descobrirá que a igreja destruiu a sua família e o seu relacionamento com eles pode nunca mais se recuperar desse golpe. NOTAS
Considere cuidadosamente estas questões antes de se comprometer e lembre-se que quaisquer dúvidas que possa ter agora só aumentarão no futuro.
Examine cuidadosamente ambos os lados da história do mormonismo. Leia as histórias daqueles que passaram por uma experiência mórmon infeliz, não se limite a ouvir aqueles mórmons que falam de forma entusiástica sobre a vida na igreja. NOTAS
Muitas vezes os missionários mórmons são charmosos e entusiásticos. Eles têm uma história atraente para contar. A princípio aquilo soa maravilhosamente. Mas lembre-se do velho ditado: "Se algo parece demasiado bom para ser verdade, provavelmente é demasiado bom para ser verdade!" Tenha cuidado para não cair na armadilha de acreditar em algo simplesmente porque deseja que isso seja verdade. Talvez os mórmons lhe digam que aqueles que criticam a igreja estão a mentir, a citar fora do contexto e a distorcer os assuntos. Contudo, se examinar as fontes usadas pelos críticos descobrirá que a maior parte das fontes usadas são escritos mórmons oficiais ou semi-oficiais. O leitor também deve examinar essas fontes.
Será que o mormonismo é uma "seita"? Muitos especialistas em seitas religiosas vêem no mormonismo as mesmas características básicas que também existem em seitas que montam armadilhas para os incautos, apesar de muitas pessoas pensarem que "seitas" são sempre grupos pequenos e desconhecidos. Use uma lista de itens para avaliar o mormonismo, ou qualquer outro grupo, antes de se comprometer. NOTAS


Para obter mais informação sobre o outro lado do mormonismo, ou para analisar evidência que fundamenta cada uma das afirmações feitas acima, sinta-se à vontade para nos contatar. O nosso único objetivo é que o leitor tenha acesso a ambas as partes. Prometemos não lhe pregar, mas apenas apresentar-lhe fatos para que possa avaliar a história mórmon. Clique aqui para ver uma lista de endereços de e-mail de pessoas que pode contatar [se souber inglês]. Clique aqui para ler histórias [em inglês] de pessoas que deixaram o mormonismo.